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Apresentando a opção Jesus para a Colômbia

Ricardo Esquivia sabe mais que ninguém o que é sofrer perseguição. Esquivia, 57 chefia o grupo menonita pela paz, o Justapaz, que ele fundou com os missionários menonitas Peter e Paul Stucky em 1989 para promover soluções pacíficas para a guerra da Colômbia que já dura décadas.

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Sua família era muito pobre. A mãe era indígena; seu pai era negro.

Quando menino, ele freqüentou o internato menonita fundado para filhos de leprosos e protestantes que haviam sofrido os horrores de um sangrento período da história colombiana conhecido como La Violencia (A Violência). Os evangélicos enfrentavam uma forte discriminação naqueles dias.

A pior discriminação que Esquivia sofreu, entretanto, foi devido à lepra do pai. As autoridades estaduais forçaram seus pais a se mudarem para um sanatório de leprosos perto de Bogotá, deixando Esquivia e os irmãos cuidando de si mesmos em Agua de Dios, uma próxima a Bogotá. Quando o pai ficou sabendo do internato menonita, matriculou os filhos no curso. Ricardo, que aceitou a Cristo com a idade de 10 anos enquanto estava na escola, conseguiu o diploma do colégio lá.

Mas o estigma continuava perseguindo-o . No começo eu tinha muitas perguntas que surgiam dos problemas que eu estava vivendo. Por que eu? Por que meu pai tinha de ser leproso? Por que as pessoas me tiravam pedras? Por que, se me davam um copo com água, quebravam depois o copo?

Certa vez Esquivia conheceu o padre católico romano esquerdista, Camilo Torres, mais tarde ligado ao grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN). Torres apresentou a Esquivia conceitos que ele nunca tinha ouvido.

Eu sentia que a igreja não se incomodava com essa realidade social, que não dava respostas a preocupações sociopolíticas, disse ele. Nem mesmo os menonitas, que eram os mais envolvidos dos evangélicos em atender as necessidades materiais do povo, estavam usando meios políticos para resolver esses tipos de problemas. Aquilo era um novo conceito para Esquivia e ele queria aprender mais.

Esquivia freqüentou a universidade nos tumultuados anos 60, época marcada pelo conflito armado como La Violencia que evoluiu para a guerra civil de hoje. Ele atuou como presidente do conselho estudantil e estudou advocacia, desejoso de ajudar a resolver as aflições que via ao seu redor. Acompanhou também a luta pelos direitos civis na qual os negros americanos estavam engajados naquela época.

Esquivia descobriu que a maioria das soluções propostas para os problemas da sociedade estava centrada na violência. Estudou o Rev. Martin Luther King, que atribuía seus métodos de não-violência a Gandhi da Índia. Então ficou sabendo que Gandhi havia estudado Cristo.

Fiz uma pesquisa completa e descobri precisamente que Jesus oferecia as respostas, e que a Sua mensagem era holística - uma mensagem viva que poderia oferecer respostas aos que sofrem nesta situação, disse Esquivia.

Alguns de nós vamos à igreja por convicção, outros por tradição de família, disse ele. Outros vão porque Deus quis dessa forma através das dificuldades que enfrentam. Graças à enfermidade do meu pai, eu estou aqui na missão de Cristo.

Tem sido uma missão cheia de perigos. Em 1986, ele e sua família mudaram-se para San Jacinto, na costa do Caribe, onde ele comprou uma fazenda e ensinou aos lavradores o conceito da não-violência e da ação social. O exército o acusou de ser aliado ao movimento guerrilheiro e matou vários lavradores na fazenda. O incidente enfureceu as famílias das vítimas, levando muitos a se tornarem guerrilheiros. Esquivia diz que esse é um bom exemplo do porquê os colombianos pobres se unem aos rebeldes - quando o exército os acusa injustamente de serem rebeldes e os ataca.

Devido as ameaças à sua vida, ele fugiu para a cidade próxima de Cartagena e depois voltou para Bogotá. Entretanto, os problemas o seguiram lá. Foi acusado de matar 42 estrangeiros e um padre católico. Fugiu para a Colômbia antes que as autoridades o prendessem.

As igrejas ao redor do mundo e a Anistia Internacional ficaram do seu lado. Enquanto isso, o governo nomeou uma comissão para averiguar as acusações, e o exército retirou as acusações contra ele.

É por isso que digo que a paz deve ser buscada através da justiça, e por essa razão, a reforma judicial é importante para mim, disse ele.

O incidente reforçou sua crença de que não existe isso de guerra justa. Em 1989, Esquivia ajudou a fundar o Centro Cristão para Justiça, Paz e Ação Não-violenta - o Justapaz - junto com os irmãos menonitas Peter e Paul Stucky e Luis Correa. O Justapaz patrocina o diálogo com grupos em guerra e também dá ajuda e assistência a colombianos desabrigados pela violência.

Além disso, ele ajudou a despertar a consciência evangélica dos métodos não-violentos através do Cedecol, a aliança evangélica colombiana, e fundou sua comissão de direitos humanos para forçar a mudança. O nome da comissão foi mudado no ano passado para Restauração, Vida e Paz porque muitos evangélicos ligam os direitos humanos aos políticos esquerdistas e aos simpatizantes da guerrilha.

A comissão tem 20 projetos pelo país que promovem a paz, a reconciliação e o evangelismo. Pelo despertamento da consciência dos direitos humanos entre as igrejas, o número de evangélicos que trabalham nessa área cresceu de um punhado de - em sua maioria - menonitas em meados de 1990 para várias centenas hoje.

Enquanto Esquivia defende a paz, grupos rivais tanto da esquerda como da direita o acusam de aliar-se aos adversários. Ele já recebeu ameaças de morte. Apesar da luta pela paz poder custar-lhe a vida, Eu gosto da parte do evangelho que diz: 'Não se cansem de fazer o bem' , disse Esquivia.

Na manhã em que Portas Abertas falou com Esquivia no escritório do Justapaz em Bogotá, chegou um fax para o diretor da comissão Restauração, Vida e Paz enviado por um pastor de Arauca. Situada na fronteira leste com a Venezuela, Arauca é o departamento (Estado) mais perigoso da Colômbia.

O fax relatava que um evangélico que ia para o trabalho morreu instantaneamente quando uma bomba, que se acredita ter sido colocada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), explodiu na rodovia pela qual ele viajava. Eliseo Camelo Ramirez deixou e esposa e quatro filhos. A viúva, sem posses, estava buscando ajuda para pagar o enterro do marido.

Pedidos semelhantes chegam constantemente à mesa de Esquivia, e o Cedecol consegue encontrar recursos para ajudar. Não é fácil, porque a igreja evangélica é composta principalmente por colombianos pobres que, eles próprios, sofrem perdas com o longo conflito civil da Colômbia. Enquanto a atenção mundial se concentra no Oriente Médio, o país - e seus cristãos - se vê com menos recursos para aliviar o sofrimento de sua própria sociedade.

Enquanto isso, Esquivia continua participando do governo - e dos diálogos patrocinados pela igreja com grupos armados. Mas a chave para mudar a Colômbia está em o país clamar por Deus.

Eu acredito que a principal necessidade dos colombianos é a espiritual, disse ele, A opção é Jesus, e aqueles dentre nós que dizem vivermos como solução para este problema social.

Acredito que a igreja está progredindo no atendimento a estas necessidades espirituais - não o suficiente, mas está sendo conseguido. Se nós como humanos conseguirmos o desenvolvimento de uma verdadeira espiritualidade, isso transformará a sociedade.

Fonte: https://www.portasabertas.org.br/noticias/2003/12/noticia406/


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